Colaborar para construir conhecimento: as interpelações do IV Encontro da Comunidade Sinergias ED

Dinâmica do novelo – interconhecimento entre participantes

O que é colaborar na construção de conhecimento em ED/ECG? 

Quais as potencialidades do trabalho colaborativo entre organizações da sociedade civil e instituições de ensino superior nesta área?  

Estas foram algumas das perguntas a que se tentou dar resposta no IV Encontro da comunidade Sinergias ED que teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no dia 14 de novembro. 

Este encontro contou com 26 participantes, provenientes de vários pontos do país, ativistas e profissionais de organizações da sociedade civil e da academia que trabalham na área da ED/ECG em Portugal, e ainda com representantes de entidades envolvidas nos diferentes trabalhos colaborativos que estão a ser elaborados no âmbito desta 3ª edição do projeto. 


Tendo como tema principal a Colaboração, Ana Dubeux, docente da UFRPE – Universidade Federal de Pernambuco, no Brasil, educadora da INCUBACOOP – Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares e amiga internacional do projeto, desafiou as e os participantes através de um vídeo. Partindo da ideia de que os conceitos de conhecimento, ciência e desenvolvimento foram construídos sobre uma base mercantil, capitalista e simplista, Ana Dubeux questionou a audiência sobre a urgência de uma resignificação destes termos, assente numa análise atenta da complexidade e multidisciplinariedade da realidade e numa necessária articulação e colaboração entre o saber académico e o saber experimental não-especializado.  



Esta intervenção foi complementada por um momento dedicado a recuperar as aprendizagens realizadas pelo Sinergias ED sobre trabalho colaborativo nas duas edições anteriores. Destas aprendizagens, realçamos a importância da criação de uma identidade coletiva, o papel que a proximidade geográfica desempenha, pela positiva, nos processos colaborativos, ou a necessidade de se perceber que as semelhanças e as diferenças existem, seja entre pessoas, seja entre instituições.


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Mas o que é afinal a Colaboração para as pessoas da comunidade Sinergias ED? A esta pergunta foram dadas duas respostas. 

A colaboração é como um rio 

Vai da nascente à foz e vai tendo vários obstáculos e dificuldades, mas tem também pontes que são construídas, poldras que são colocadas ao longo do leito do rio, margens que se afastam e se aproximam, afluentes que saem do leito principal do rio, zonas contaminadas ou até praias onde se podem encontrar recursos que são partilhados e potenciadores de transformação. A cada um e uma de nós que educamos para a transformação social cabe-nos navegar neste rio (em barcos, a pé, pelas margens ou a vau). 

A colaboração é como uma teia 

Tensiona-se, estreita-se, dilata-se. Uma teia une vários pontos e forma vários nódulos que, para além de se ligarem entre si, se ligam também a outras coisas. Esta é uma teia que cresce em várias direções, que pode estar ligada ao que está longe (no caso do Sinergias ED a pessoas e realidades internacionais que fazem parte da comunidade), e que pode ligar-se ao que é rígido ou ao que é mais flexível. Uma teia que agrega várias ideias, palavras, mundividências e que pode sempre continuar a aumentar. 


O projeto Sinergias ED: Consolidar o diálogo entre investigação e ação em Educação para o Desenvolvimento em Portugal, promovido pela Fundação Gonçalo da Silveira (FGS) e pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, está a decorrer entre 2018 e 2020 e tem como objetivo principal reforçar a qualidade da intervenção em Educação para o Desenvolvimento em Portugal.