«Bens comuns» foi tema de encontro extraordinário entre organizações do Governo e da sociedade civil

Quando se trata de mobilizar para o Bem Comum, somos desafiados a colocar o dedo na ferida: ainda trabalhamos pouco em conjunto e, enquanto sociedade, tendemos a analisar os problemas e as suas causas de um modo compartimentado: o social e o ambiental, o económico e o ecológico, o humano e a natureza.

Foi a pensar nesta urgência de se trabalhar em conjunto, sobretudo quando o tema é o Bem Comum, que as organizações envolvidas no projeto Ca(u)sa Comum[1] desafiaram para um momento de diálogo as instituições governamentais das áreas da Educação, Ambiente e Desenvolvimento. A iniciativa decorreu a 28 de maio, nas instalações do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, numa manhã que se destacou pela abertura ao diálogo.

Conscientes dos desafios que enfrentamos enquanto sociedade, várias ONGA e ONGD – organizações não-governamentais das áreas do ambiente e do desenvolvimento, respetivamente – acordaram em lançar-se num desafio conjunto, “para lá dos nossos próprios objetivos e agendas” e exercer um olhar “mais integrado face aos desafios estruturais atuais”, explica Anita Cruz, membro da equipa do projeto Ca(u)sa Comum – Educar para a Cidadania Global pela Ecologia Integral. O caminho está a ser trilhado há mais de um ano e o resultado mais visível é um documento coletivo no qual – em jeito de posicionamento – 17 organizações nacionais apelam a uma aprendizagem orientada para a transformação social que seja capaz de salvaguardar o Bem Comum.

O encontro foi realizado com a Direção Geral da Educação (DGE), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (CICL), entidades que “desde o primeiro momento” se mostraram interessadas e “disponíveis a participar”, conta Anita Cruz. Em agenda, estava a partilha do documento coletivo, com vista a receber comentários e a procurar perceber o que está a ser feito a nível governamental neste âmbito, um objetivo que foi alcançado: “deu para perceber as interligações que estas entidades já fazem entre si, a nível estratégico” e que “existem bases e pistas de intervenção conjunta para o futuro”, explica Teresa Paiva Couceiro, Diretora da FGS. Algo a ter em conta sobretudo agora, que estão «cá fora» documentos governamentais orientadores nestas matérias, como a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, a Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento e a Estratégia Nacional de Educação Ambiental.

 

“Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral.” (Encíclica Laudato Si, n.139)

 

Uma manhã de trabalho que foi “despretensiosa e muito rica em partilha e debate” e que resultou inédita dada ser a primeira vez que se sentaram «à mesa» organizações da sociedade civil das áreas do Ambiente e Desenvolvimento com a DGE, APA e CICL. No final, o grupo mostrou estar de acordo com a necessidade de se definirem estratégias, locais e globais, mais articuladas e interdisciplinares, demonstrando grande vontade em continuar este diálogo.

A 12 de julho realizar-se-á, em Lisboa, o Seminário “Bens comuns para o Bem Comum”, iniciativa que será aberta ao público e onde se espera devolver aos e às participantes o resultado deste Encontro. Em breve serão disponibilizadas mais informações.

 

[1] ADRA PORTUGAL – Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência, AIDGLOBAL – Acção e Integração para o Desenvolvimento Global, ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental, CASA VELHA – Ecologia e Espiritualidade, CEAUP – Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, FEC – Fundação Fé e Cooperação, FGS – Fundação Gonçalo da Silveira, FCF – Fundação Cuidar o Futuro, GEOTA – Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente, GRAAL, HERDADE DO FREIXO DO MEIO, IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, REDE INDUCAR, LPN – Liga para a Proteção da Natureza, OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento, QUINTA DO ALECRIM, ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável